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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Outro dia, ao chegar em casa percebi que o condomínio onde moro estava todo sinalizado com placas de limite de velocidade, locais proibidos de estacionar; placas indicando para não jogar lixo no chão, não buzinar, proibido som e assim por diante. Tudo com o intuito de estabelecer um melhor ordenamento entre os condôminos e comunicar bem as regras de boa conduta interna. Contudo, qual foi minha surpresa ao ver, logo na entrada da portaria, o seguinte aviso: “Cuidado! Crianças no condomínio!”. Inevitavelmente pensei comigo: “Nossa! Elas devem mesmo ser muito perigosas!”
Brincadeiras à parte e fazendo uma analogia com este ocorrido, podemos analisar o fato e tentar aplicá-lo ao nosso ministério de pregadores da Palavra de Deus. Ou seja, como é importante nos comunicarmos bem e transmitir a mensagem do Senhor de tal forma que ela consiga chegar em sua inteireza àqueles a quem ela se destina, a fim de evitar desvios e interpretações distorcidas do anúncio proclamado.
No exemplo acima, a intenção da placa era informar aos motoristas quanto à presença de crianças no condomínio alertando-os, assim, a trafegarem com cuidado nas dependências do mesmo, a fim de evitar acidentes com as crianças que, porventura, estivessem nestes espaços. No entanto, esta mensagem – originalmente bem intencionada – deixou margem para outras interpretações diferentes da que se desejava. Desse modo, a mensagem correu o risco de não comunicar o que se propunha, ou comunicar com ineficiência e ineficácia.
Não podemos correr o mesmo risco quando a mensagem que desejamos transmitir e comunicar é a Palavra de Deus. Evidente que por si mesma ela já comunica e fala aos corações, mas Deus se faz precisar dos nossos lábios para ser anunciado. Portanto, naquilo que competir aos pregadores, precisamos fazer com que a palavra anunciada seja palavra recebida. Esta, por sua vez e com a graça de Deus, se tornará palavra vivida.
Podemos, então, nos perguntar se existe algum método para fazer com que isto aconteça. Ora, a pregação da Palavra de Deus, embora essencialmente deva ser inspirada e conduzida pelo Espírito Santo, também é um método de elocução. Desse modo, o Espírito age por meio das faculdades humanas, com todos os seus limites e potencialidades. Como método, esta forma de elocução (oratória sacra ou homilética) também pode ser composta de alguns recursos e técnicas que auxiliam no momento em que a mensagem é verbalizada.
Como técnica de comunicação, a oratória sacra também trilha um caminho. Sabemos que toda comunicação tem seu ponto de partida no chamado “agente emissor”. Existe, ainda, o “agente receptor”, ou seja, a quem se destina a mensagem. Entre o primeiro e este último existe um espaço intermédio que se poderia chamar de “canal transmissor”. Isto implica dizer que a comunicação para acontecer precisa, fundamentalmente, de três elementos: 1) agente emissor: canal de onde se origina a mensagem (pode ser um quadro, um cartaz, vídeo, música, texto e, no nosso caso, o(a) pregador(a). 2) canal transmissor: o meio pelo qual será enviada, transmitida a mensagem (rádio, televisão, exposição visual ou oral, etc). 3) agente receptor: o objeto de destino da mensagem (no caso da pregação, a assembléia para a qual nos dirigimos). Assim, a comunicação só poderá acontecer se estes três elementos estiverem presentes. A ausência de um deles indica que não houve comunicação.
Não adianta ter um canal de transmissão disponível e um público pronto para receber a mensagem se esta não for comunicada, ou seja, se faltar o transmissor da mensagem. Do mesmo modo, se houver o agente transmissor para enviar a mensagem e um público que a receba, mas se faltar o canal por onde ela seja transmitida – ou se o mesmo não for adequado – a mensagem não chegaria ao destino ou chegaria incompleta, incompreensível e inacessível. Portanto, ainda não haveria se estabelecido uma comunicação.
Se, por fim, houvesse um agente emissor pronto a enviar a mensagem e meios para transmiti-la, mas se faltar quem receba a mensagem, de igual forma, a comunicação seria ausente, pois não haveria um para quem (caráter teleológico da pregação), o destino final da mensagem e início da comunicação. Digo início da comunicação porque, como veremos, a comunicação exige reciprocidade. Ela vai, mas também retorna.
Destes três elementos, apenas um pode ser controlado e trabalhado diretamente pelo pregador. O outro pode ser administrado conforme as circunstâncias, mas ainda foge de seu controle. Por fim, o último elemento não está sob o controle do pregador, tornando-se mesmo imprevisível, mas pode, em contrapartida, influenciar diretamente o pregador no seu anúncio.
O elemento sobre o qual o pregador possui algum tipo de controle e pode realizar algum trabalho para melhorar a comunicação é ele mesmo, ou seja, o transmissor da mensagem. Pode melhorar sua transmissão de inúmeros modos, sobretudo, a vida de oração e abertura ao Espírito Santo. Mas também pode trabalhar sua dicção, a concatenação de suas idéias, a lógica da exposição, a maneira como se relaciona com a assembléia, a projeção de sua voz, o conteúdo de sua pregação, sua postura e etc. Desse modo, se não se tem controle sobre a transmissão da mensagem nem da assembléia que a recebe, o pregador precisa desenvolver ao máximo aquilo que lhe compete e pode melhorar: ele mesmo.
O segundo elemento que se apresenta e sobre o qual não se tem um total controle é o canal de transmissão. Isto se deve ao fato de agentes exteriores que interferem positiva e negativamente na pregação da palavra. Por exemplo, se o local onde acontece a pregação for muito quente, barulhento, dispersivo, o som do microfone não for o adequado, distração, entre outros. Tudo isto pode comprometer a recepção da mensagem, pois o canal por onde ela passa, podemos dizer, não distribui integralmente a mensagem. Um local barulhento, por exemplo, pode impedir a assembléia de escutar tudo que o pregador anunciou. Um local muito dispersivo pode desviar a atenção da assembléia para outras coisas que não a Palavra de Deus anunciada, o que também comprometeria a chegada e acolhida da mensagem.
Por fim, poderíamos dizer que sobre a assembléia não se teria algum tipo de controle no sentido de antecipar sua reação à recepção positiva ou negativa do anúncio proclamado. E, neste sentido, cada pregação reserva uma novidade, pois cada assembléia receberá de um jeito próprio a Palavra que vai ser pregada. Esta resposta da assembléia àquilo que é pregado vai influenciar o pregador durante sua proclamação.
Com estas observações fica-nos evidente dizer que uma vez que não temos como controlar ou prever as condições em que a Palavra será anunciada (barulhos, distrações, interferências) e, tampouco, como a Palavra será acolhida (reação da assembléia), compete a nós – os pregadores – desenvolver, moldar e formar aquilo que nos restou para trabalhar: nós mesmos. Neste sentido, nós somos e precisamos ser cada vez mais a matéria-prima de onde Deus se faz utilizar para anunciar sua Palavra. Somos o barro de onde Deus nos faz novos homens e mulheres. Somos a argila da qual o divino oleiro vai moldando e conformando à sua santa vontade.

Francisco Elvis Rodrigues Oliveira
Coord. Ministério de Pregação
R.C.C. Fortaleza

Missão em Codó/MA




Irmãos!
Gostaria de partilhar a imensa glória de Deus que foi a missão realizada na Cidade de Codó, no Maranhão.
Nos dias 06, 07 e 08 de Novembro, nosso querido irmão e núcleo do ministério de pregação de Fortaleza, Marcelo Ricardo e eu fomos em missão pregar um encontro na cidade de Codó, no Maranhão.
O encontro chamado VINDE E VEDE está em sua 12º edição e teve por tema "Jesus é o Senhor".
Os irmãos daquela cidade nos acolheram muito bem e, mais do que isto, acolheram as graças e o fogo do Espírito derramado sobre todos os que estávamos presentes e sobre nossas casas. Deus operou muitos sinais, libertações, curas de vícios, relacionamentos familiares e outras maravilhas aos nossos olhos!
voltamos para nossa terra com a sensação de "missão cumprida" e com o desejo renovado de gastar nossa vida pelo anúncio da Palavra do Senhor!
Irmãos, o Senhor precisa ser cada mais anunciado e glorificado. Com nossas palavras e, sobretudo, com nossa vida.


Agradecemos a todos que ficaram em intercessão por esta missão.
Que nossos lábios possam sempre dizer ao Senhor: "Eis-me aqui, envia-me".

Abraços a todos.
Em Jesus e Maria.



Francisco Elvis Rodrigues Oliveira
(Coord. Ministério Pregação - RCC Fortaleza)

sábado, 3 de outubro de 2009

SOBRE A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO E CATEQUESE NO ANÚNCIO DA PALAVRA DE DEUS

Geralmente quando se fala em formação, inevitavelmente nos vem à mente um momento de aprendizado, recepção de conteúdo, estudo e assim por diante. Mas, dificilmente se espera que em momentos como este ocorram grandes conversões, alta emotividade, curas e mesmo outras manifestações mais efusivas. Ou seja, o se que espera, convencionalmente, é um momento mais racional, um ambiente de estudo e reflexivo.

Evidente que não pretendo encerrar aqui o Espírito Santo, pois ele sopra onde quer, nem tampouco desejo fechar os olhos para a ação da graça dentro de elementos e conteúdos formativos. Apenas o que evidencio é uma concepção ingênua, por assim dizer, que se tem concebido coletivamente onde o momento mais “favorável” de uma ação mais efusiva do Espírito Santo seria, por exemplo, durante uma pregação, um louvor animado ou em momentos intensos de oração. Desse modo, aos momentos formativo-catequéticos estariam reservadas expressões menos emotivas e mais lógico-intelectuais.

No entanto, isto não aparece como verdadeiro. E gostaria de partilhar, em especial com meus irmãos responsáveis pelo ministério de formação, que mesmo que o público que busca as formações se trate, em grande maioria, de pessoas evangelizadas, ainda neste contexto podemos ser surpreendidos com testemunhos que por vezes se assemelham aos daqueles que acabaram de ter seu primeiro encontro pessoal com Jesus. Daí a máxima “pregar formando e formar pregando”.

Este ano, A comunidade que participo (Comunidade Católica da Transfiguração) me enviou para assumir um compromisso na paróquia, a fim de ministrar um curso sobre doutrina católica, onde pretendemos estudar todo o Catecismo ao longo de um ano. Embora, o conteúdo seja essencialmente formativo, racional e pareça requerer apenas estudo, Deus tem realizado uma obra nova e maravilhosa aos nossos olhos. Veja que não se trata de uma pregação em um grande encontro, com a dinâmica que tem o anúncio querigmático, mas trata-se de conteúdo de formação, com uma pedagogia mais exigente, reflexiva, talvez menos dinâmica, etc. Contudo, gostaria de destacar dois testemunhos que me chamaram a atenção.

O primeiro se deu ao estudarmos a primeira parte do Catecismo onde tratávamos sobre o Credo, chegamos ao artigo que abordava as questões sobre a morte (são os artigos “creio na ressurreição da carne” e “creio na vida eterna”). Ao finalizar, uma das participantes disse aos prantos, que finalmente havia compreendido o significado da morte para o cristianismo e que Deus a havia libertado do sentimento depressivo com relação à morte de seu pai. A partir deste curso ela havia compreendido a morte cristã com esperança e não com sentimento de tristeza.

O segundo testemunho veio de um casal. No momento em que estudávamos os sacramentos (em especial, o matrimônio), a esposa tomou a palavra e disse que o curso tem colaborado para o engajamento de seu marido, pois ele não estava engajado em nenhum serviço dentro da igreja. Como o curso é ministrado no período da noite, o marido começou acompanhá-la. Ele passou a se interessar pelo curso e a conhecer as “coisas da Igreja” (palavras dele) e a partir de então, está engajado na pastoral do batismo. Conforme ele mesmo testemunhou “a única coisa que ele havia feito na igreja foi ter casado no religioso”. Mas com o curso ele havia adquirido uma nova visão sobre a igreja e passou a nutrir um amor por ela e o desejo de servir em algum movimento ou pastoral naturalmente surgiu em virtude do conhecimento adquirido. Mais uma vez outra máxima: “só se ama aquilo que se conhece”.

Irmãos formadores (incluo aqui os catequistas). Gostaria de deixar minha admiração e motivação para continuarmos neste trabalho de formar Cristo nos outros (bem como nos deixarmos formar por Ele). Não descuidem da espiritualidade em favor do conhecimento. Engana-se quem pensa que para formar bem precisa mais de estudo do que de oração. Ao contrário, nossas formações, cursos e catequeses precisam estar sobremaneira sob a graça de Deus, pois juntamente com a pregação, a formação compõe a complementaridade do anúncio da Palavra de Deus que se apresenta como amor e ao mesmo tempo nos convida para avançarmos para águas mais profundas.

Francisco Elvis Rodrigues Oliveira.

Coord. Ministério Pregação – RCC Fortaleza

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Pregação x Arco e Flecha

Muitas vezes e mesmo por questões de didática, lançamos mão de exemplos e comparações, na tentativa de explicar algo de conteúdo nem sempre definível ou de fácil compreensão. Isto ocorria com as parábolas que Jesus contava, no intuito de falar das coisas do céu a partir das realidades da terra (bom pastor, grão de mostarda, trigo e joio, o semeador, etc).
Isto também ocorre quando se pretende de algum modo, definir o que seja o ministério de pregação e os tipos de pregadores – se é que se poderia enquadrar o pregador dentro de algum perfil determinado, visto que não somente o pregador, mas o ser humano em geral, se apresenta muito mais complexo do que certos conceitos já postos. Mas, como no início [didaticamente], gostaria também de apresentar alguma contribuição na compreensão do exercício deste lindo ministério.
A visão que se me apresenta daquilo que poderia ser comparado o ministério de pregação e que bem o demonstra seria a da prática do arco-e-flecha. Esta imagem comparativa do arco-e-flecha com o ministério de pregação surgiu quando fiz uma leitura sobre esta atividade e no livro , o autor descrevia pormenorizadamente tudo que caracterizava tal atividade, bem como a composição de seus elementos (arco, flecha, alvo, etc).
A prática de arco-e-flecha requer alguns elementos que a componham. Não somente, mas a qualidade e uso destes elementos também influenciam o resultado desta atividade. Estes elementos são, essencialmente, o arco, a flecha, um alvo e, evidentemente, o arqueiro. Traçando um paralelo entre as atividades do tiro com arco e da pregação, podemos destacar os três elementos desta primeira, a saber: o arco, a flecha e o alvo.

O ARCO

Originalmente , o arco deve ser feito de um tipo de madeira que resista a grandes tensões, pois o melhor arco é aquele que tem a maior capacidade de envergadura, ou seja, a capacidade de se dobrar sem quebrar (resiliência), pois quanto maior a curvatura que o arco faz, tanto maior é a propulsão com que pode lançar a flecha.
O pregador é como este arco. A “madeira” da qual ele é constituído chama-se oração. É ela que confere a capacidade de resiliência. Ou seja, quanto mais o pregador se “dobra” ou, melhor dizendo, se deixa ser dobrado, tanto melhor é para ele e para seu ministério. Mas – podemos nos perguntar – como um pregador pode se dobrar ou ser dobrado? Respondemos à esta indagação dizendo que a resposta é a oração.
Tanto no sentido de dobrar-se conquanto significa dizer que o pregador é aquele que se dobra, que se coloca de joelhos diante de Deus, bem como ele deve ser dobrado por Ele – no que se refere a deixar-se lapidar, moldar, converter-se por Deus para uma vida de oração – mudando seus valores, conceitos, idéias e ideais, etc.
Então, do mesmo modo que a madeira quanto mais dobrada pode lançar a flecha com maior impulso e distância, assim também quanto mais vida de oração e escuta, portanto, quanto mais dobrado o pregador estiver, mais longe e com maior impulso poderá lançar sua flecha. A esta altura já podemos compreender que ela (a flecha) é a Palavra de Deus. Precisamos nos dobrar constantemente diante do Senhor.

A FLECHA

Como já pudemos indicar anteriormente, a flecha pode ser compreendida como a própria Palavra de Deus. A flecha é um instrumento pontiagudo, penetrante e quando atinge o alvo, não se pode retirá-la sem dificuldades. Ou seja, uma vez penetrada ela deixa marcas no alvo, profundas e quando se tenta retirá-la, somente imprimindo uma força tal que, mesmo se conseguindo arrancá-la, deixa seus vestígios da perfuração.
De modo semelhante se dá com a Palavra de Deus. São Paulo já se referia à Sagrada Escritura como sendo um instrumento pontiagudo, penetrante . Uma vez lançada esta “flecha” da Palavra de Deus e atingido o alvo, ela não pode ser retirada sem deixar de produzir seu efeito, pois penetra profundamente deixando marcas onde é lançada (anunciada). E, a exemplo da passagem do semeador, caso algo ou alguém venha a retirar a Palavra semeada, esta não sairá sem esforço ou sem dor, pois ela é penetrante deixando sempre seus vestígios .
Entretanto, assim como a flecha se não for lançada, portanto, se não tiver uma força propulsora se torna apenas um pedaço de madeira, sem efeito, não penetra nem fura, de igual modo, a Bíblia quando não anunciada com o poder do Espírito, pode continuar sendo vista pelo mundo como um mero livro que não causa efeito algum. É preciso, pois, lançar a flecha. É preciso anunciar!

O ALVO

O terceiro elemento componente da prática de tiro com arco é o alvo. Ele é o objetivo, o destino e fim último da flecha lançada pelo arqueiro. Geralmente é colocado a uma certa distância do arqueiro. Alguns são estáticos. Estão no mesmo lugar apenas “esperando” para serem flechados. Outros são colocados como alvos móveis. Mas uma coisa é comum entre ambos: a flecha precisa alcançá-los. Precisa chegar até eles penetrá-los.
Evidente que nesta comparação o alvo se assemelha ao povo de Deus. Seja ele enquanto assembléia reunida ou o indivíduo separadamente. Como foi dito, o destino e fim último de toda pregação (flecha) deve ser alcançar o coração (alvo) do povo de Deus. O pregador (arco) deve ter isso muito claro em sua mente e no seu coração. Sua pregação não é para a sua glória ou vaidade, mas tão-somente se deixar ser instrumento de Deus para tocar o Seu povo.
Isto exige uma sensibilidade do pregador. Um olhar diferente lançado para cada irmão. O arco não intui parar na flecha, mas se utiliza dela para cravá-la no alvo. Não a retém para si. Assim o pregador não deve calar diante dos irmãos. A flecha precisa ser lançada. Oportuna e inoportunamente, diria São Paulo.
Contudo, nem sempre o povo de Deus se comporta como o alvo estático que, passivamente espera a flecha tocar-lhe o centro. Nosso povo está cada vez mais dinâmico e, por vezes, distante da Palavra do Senhor, nem sempre desejando ou esperando ser tocado por ela. Ao contrário, muitas vezes a rejeita.

O ÚLTIMO E FUNDAMENTAL ELMENTO: O ARQUEIRO

Embora tenhamos destacado três elementos nesta prática de arco-e-flecha existe um quarto elemento que dá base e vida para os demais: o arqueiro. O arqueiro escolhe a madeira da qual será feita o seu arco. Trabalha seu arco para alcançar a máxima envergadura e, quando o arco não atinge o ideal, o arqueiro molda seu arco para que atinja tal meta, embora sempre respeitando os seus limites. É ainda o próprio arqueiro quem confecciona a sua flecha. Ele sabe do que ela é feita e para que foi feita.
Sua atenção sempre está voltada para o alvo. Nunca tira os olhos dele, pois sabe que se desviar seu olhar a flecha pode ter outro destino que não o que ele desejaria e, assim, desperdiçaria uma flecha lançada ao vento. O arqueiro sabe, ainda, que precisa forçar ao máximo seu arco para fazer a flecha chegar. Às vezes pode dar a impressão que está forçando muito os limites de seu instrumento, parecendo que irá quebrá-lo em virtude da tamanha força impressa sobre este.
Mas o arqueiro bem sabe que está apenas usando o potencial máximo de seu arco, pois ele o conhece muito bem e sabe até onde ele agüenta. O resultado final: depois de tanto dobrar o arco, o arqueiro lança às maiores distâncias a sua flecha, pois sabe que no fundo ela foi feita para ir o mais longe possível e se não imprimisse tal força no arco o potencial de sua flecha não alcançaria toda sua capacidade.
Talvez nem precisasse continuar a interpretação desta comparação, pois podemos já identificar que este “arqueiro” é Deus. É ele quem escolhe os seus pregadores, que os molda para que sejam melhores no seu ministério e em suas vidas. Trabalha em cada um deles para que a Sua Palavra seja mais e melhor anunciada, a fim de que ela alcance mais e mais pessoas e as conduzam no caminho da conversão, rumo à felicidade eterna.
Neste trabalho de modelagem do seu arco, que somos nós, os pregadores, podemos cair no risco de pensar que nossa carga está muito pesada, ou que Deus está sendo injusto, insensível às nossas dores e dificuldades. É neste momento que precisamos compreender pela fé que Deus está, nesta hora, envergando seu arco para que ganhe mais força. Pode parecer duro, dolorido, pesado, mas é neste momento que Deus prepara os seus profetas para atingirem metas maiores ou, como se diz, avançar para águas mais profundas. Pois, como vimos, o arqueiro (Deus) sempre exige o máximo do seu arco, mas respeita todos os seus limites.
Outro ponto ainda é o fato de Deus estar sempre com seu olhar voltado para seu povo. Seu olhar amoroso sempre o acompanha. Isto sugere e exorta os pregadores a perceberem-se apenas como instrumentos do lançamento da Palavra e não o seu fim. O objetivo de Deus ao vocacionar alguém para este serviço não é outro senão tocar o seu povo. Assim como a flecha parte do arqueiro para o alvo, a Palavra de Deus parte de Deus para seu povo.
E o arco? O arco apenas intermedia. O arqueiro poderia arremessar a flecha diretamente, mas sabe que se utilizar um arco dobrado a flecha chega mais longe. Os pregadores somos este arco dobrado. O Senhor poderia lançar sua Palavra diretamente, mas Ele deseja precisar de nós, porque sabe que um pregador “dobrado” por Deus pode alcançar muitos outros pelo seu testemunho.

CONCLUSÃO

Deus já é um excelente arqueiro, sempre com olhos sobre seu povo e desejoso de fazer com que Sua Palavra alcance todos os corações. O alvo – o povo de Deus – está aí para receber o toque da Palavra Sagrada. Embora, talvez, não se aperceba disso, mas o mundo tem fome e sede de Deus. Compete a nós, pregadores e a todos os batizados e evangelizados, nos tornarmos excelentes arcos. Nos deixarmos moldar por Deus, sem desanimar, mas trazer dentro de si o desejo ardente de cumprir o mandato que Jesus deixou a seus apóstolos e continuá-lo nestes tempos de hoje: “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15).


Francisco Elvis Rodrigues Oliveira

Coord. Ministério Pregação - RCC Fprtaleza

quarta-feira, 10 de junho de 2009